Às vezes, sinto que sou a pior pessoa do mundo. Sinto que não mereço consideração qualquer que seja. Fiz tantas coisas terríveis. Menti para tanta gente, magoei tanta gente, causei tanto desconforto. É claro que tive meus motivos. Quando eu disse que apanhei na saída do colégio, em 2009, e não voltei para lá, ninguém havia encostado em mim, mas eu disse o que disse para justificar o que estava sentindo. As garotas realmente me seguiram, mas gritaram ao invés de bater. Trataram a mim como a um verme, ofendendo, rindo, pisando sem levantar os pés. Eu senti meu corpo inteiro e minha alma sendo socados. Queria morrer. E pensei que ninguém entenderia se eu contasse a verdade; diriam que era besteira e que não tinha importância, mas tinha. Em mim, aquilo doeu como um tiro e acabou com toda a minha coragem de encarar o mundo.
É verdade que em outras ocasiões ocorreram violências físicas. Lucas segurou meu cabelo e bateu minha cabeça na mesa do professor várias vezes. Mas nesse dia as palavras também doeram mais. “Sapatazinha de merda”, ele disse. “Não vale nada”. Jogou molho nas minhas coisas e espalhou boatos sobre prostituição, aproveitando a antiga história que a professora de matemática havia criado dois anos antes. Fez isso durante muito tempo, mas era amigo (e depois, namorado) da minha melhor amiga, então eu ficava quieta. E, no fim, ela me esqueceu, me apagou da vida dela como se eu nunca tivesse existido.
Enfim, também houve situações no CCAT, gente me cercando no banheiro, trancando portas. Naquela época, ninguém sabia, nem eu entendia que era gay; eu tinha nove, dez anos. Mas eu sabia que algo em mim não era “normal”, e nunca abri a boca para falar disso. Só que eu era esquisita e, aparentemente, odiável. E também houve a psicóloga que m empurrou, uma vez, mas eu nunca disse. Comigo nunca é o corpo. O problema são as palavras.
Bem, eu menti na coisa de 2009, mas eu estava em pânico. Naquele ano, todo mundo sabia que eu namorava uma garota e me viam ou como uma aberração ou como uma palhaça. Minha intenção não era mentir por mentir, e sim demonstrar como eu me sentia (nunca fui boa nisso).
Feri meus pais com isso. E me odeio por ter feito tal coisa. Também me odeio por outras coisas, mas esta foi a que mais deixou sequelas.
Entretanto, quando paro para olhar o mundo, vejo tanta mentira por motivos idiotas, tanta gente como aquelas das quais fugi. De algum modo, começo a pensar que não sou a pior. Mas isso não me alegra.
Odeio este mundo. Odeio estas pessoas. Odeio tanta coisa.
A única coisa que não odeio, além dos gatos, é o amor que sinto por ela. Mesmo que eu não o receba de volta, esse sentimento é a melhor coisa que já nasceu em mim. Eu a amo tanto que sempre vêm as lágrimas. Mesmo longe, amo.
O que achas disso, Ana?
É verdade que em outras ocasiões ocorreram violências físicas. Lucas segurou meu cabelo e bateu minha cabeça na mesa do professor várias vezes. Mas nesse dia as palavras também doeram mais. “Sapatazinha de merda”, ele disse. “Não vale nada”. Jogou molho nas minhas coisas e espalhou boatos sobre prostituição, aproveitando a antiga história que a professora de matemática havia criado dois anos antes. Fez isso durante muito tempo, mas era amigo (e depois, namorado) da minha melhor amiga, então eu ficava quieta. E, no fim, ela me esqueceu, me apagou da vida dela como se eu nunca tivesse existido.
Enfim, também houve situações no CCAT, gente me cercando no banheiro, trancando portas. Naquela época, ninguém sabia, nem eu entendia que era gay; eu tinha nove, dez anos. Mas eu sabia que algo em mim não era “normal”, e nunca abri a boca para falar disso. Só que eu era esquisita e, aparentemente, odiável. E também houve a psicóloga que m empurrou, uma vez, mas eu nunca disse. Comigo nunca é o corpo. O problema são as palavras.
Bem, eu menti na coisa de 2009, mas eu estava em pânico. Naquele ano, todo mundo sabia que eu namorava uma garota e me viam ou como uma aberração ou como uma palhaça. Minha intenção não era mentir por mentir, e sim demonstrar como eu me sentia (nunca fui boa nisso).
Feri meus pais com isso. E me odeio por ter feito tal coisa. Também me odeio por outras coisas, mas esta foi a que mais deixou sequelas.
Entretanto, quando paro para olhar o mundo, vejo tanta mentira por motivos idiotas, tanta gente como aquelas das quais fugi. De algum modo, começo a pensar que não sou a pior. Mas isso não me alegra.
Odeio este mundo. Odeio estas pessoas. Odeio tanta coisa.
A única coisa que não odeio, além dos gatos, é o amor que sinto por ela. Mesmo que eu não o receba de volta, esse sentimento é a melhor coisa que já nasceu em mim. Eu a amo tanto que sempre vêm as lágrimas. Mesmo longe, amo.
O que achas disso, Ana?
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