Rosângela foi embora hoje, Ana. Passou a virada do ano aqui comigo. Acho que não dei muita atenção a ela. A presença dela me faz tão feliz que perco a noção das coisas, entro em pânico. Não estou acostumada a me sentir feliz.
Parece que todas as outras desapareceram. Nenhuma daquelas garotas significa nada para mim agora. As palavras horrendas que me disseram não significam nada. Nada que aconteceu antes de eu conhecê-la significa qualquer coisa. Eu não estava viva antes de conhecê-la. Estou viva agora. É esse o problema. É isso o que me apavora. Eu estou viva. E quem vive, morre.
Eu sei, Ana, que não vai durar. Cacete, eu sei que não vai durar. Ela não vai suportar estar comigo por muito tempo. Tenho medo de me apegar, de querê-la por perto o tempo inteiro, porque eu sei que vai acabar num piscar de olhos.
Pensei nisso enquanto a via indo embora. Vai acabar. É verdade que o que eu sinto por ela é maior do que qualquer coisa que eu tenha sentido até hoje, mas Rosângela é apenas uma pessoa. Nenhuma pessoa aguenta. Eu sou insuportável. Tenho lapsos de memória, insônia, alucinações, surtos suicidas constantes e violentos, quando explodo de raiva sou capaz de matar alguém (de fato, por pouco não o fiz em 2007, quando empurrei Rodrigo da escadaria do colégio). Sou possessiva, ciumenta e excessivamente carente de atenção e cuidado. Não sei falar, mas escrevo o tempo inteiro. Sou agressiva com quem chega perto de mim e gentil com quem me interessa. Sou um misto tão bizarro de tanta coisa que, quando ela perceber isso, vai desistir. Não quero que ela perceba. Preciso esconder. Pelo menos um pouco.
Não quero perdê-la.
Parece que todas as outras desapareceram. Nenhuma daquelas garotas significa nada para mim agora. As palavras horrendas que me disseram não significam nada. Nada que aconteceu antes de eu conhecê-la significa qualquer coisa. Eu não estava viva antes de conhecê-la. Estou viva agora. É esse o problema. É isso o que me apavora. Eu estou viva. E quem vive, morre.
Eu sei, Ana, que não vai durar. Cacete, eu sei que não vai durar. Ela não vai suportar estar comigo por muito tempo. Tenho medo de me apegar, de querê-la por perto o tempo inteiro, porque eu sei que vai acabar num piscar de olhos.
Pensei nisso enquanto a via indo embora. Vai acabar. É verdade que o que eu sinto por ela é maior do que qualquer coisa que eu tenha sentido até hoje, mas Rosângela é apenas uma pessoa. Nenhuma pessoa aguenta. Eu sou insuportável. Tenho lapsos de memória, insônia, alucinações, surtos suicidas constantes e violentos, quando explodo de raiva sou capaz de matar alguém (de fato, por pouco não o fiz em 2007, quando empurrei Rodrigo da escadaria do colégio). Sou possessiva, ciumenta e excessivamente carente de atenção e cuidado. Não sei falar, mas escrevo o tempo inteiro. Sou agressiva com quem chega perto de mim e gentil com quem me interessa. Sou um misto tão bizarro de tanta coisa que, quando ela perceber isso, vai desistir. Não quero que ela perceba. Preciso esconder. Pelo menos um pouco.
Não quero perdê-la.