terça-feira, 25 de setembro de 2012

25-9-12

Tomei o remédio. Tomei, tomei, tomei, tomei... Estou me sentindo tão mal. Acho que me sinto pior agora do que me sentia antes de tomar. Não acredito que fiz isso. Estou tremendo outra vez.
Quebrei a pílula em duas partes e enchi o copo com água. A sensação enquanto tentava engolir a primeira parte do remédio foi a mesma de quando vou ao médico ou à escola. Parecia que estava morrendo. Comecei a chorar e me segurar no armário para ficar de pé, porque achei que fosse perder a força das pernas e cair. A segunda parte desmanchou antes que eu conseguisse engolir. Felizmente estava sozinha na sala. Mamãe riria de mim.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

24-9-12

Estou tão confusa, Ana... Não sei mais o que quero, tenho medo de tudo. Sinto dor o tempo inteiro.
Será que sou mesmo louca? Sinto tanta, tanta dor. Minha mão está tremendo.
Ana... Não me reconheço. Não sei o que faz de mim eu mesma.
Quem sou eu?

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

13-9-12

Parece tão ridículo que eu ainda me sinta tão criança quase um mês depois de ter me tornado “adulta”. Meu 18º aniversário me trouxe medo. Não posso mais evitar encarar o mundo de gente, por mais que o odeie. É minha obrigação encará-lo. Devo ver, aceitar e ficar quieta.
A sensação é de não pertencer a mim mesma; meus valores morais, as coisas nas quais acredito, minha mente, tudo que deveria ser meu está sujeito ao constante e incessante estupro por parte da sociedade.
Por mais doloroso que seja ser obrigada a acordar, fantasiar é a única maneira de me manter intelectualmente viva. O mundo que criaram para mim sufoca; a aflição me domina; vejo coisas terríveis o tempo inteiro e não posso mudá-las. Sinto-me estéril.
Será que alguém um dia lerá meus versos, ouvirá minhas canções e compreenderá tudo isso?
Chorar não ajuda agora, mas ninguém está vendo.