quarta-feira, 11 de julho de 2012

11-7-12

Ana,
O que achas que devo fazer?
Quero não mais querer coisa alguma além do que tenho, mas o que tenho é vazio e frio como um morto, e eu temo estar morta sem saber disso.
Quero tê-la. Quero ter meu amor comigo para sempre. Quero abraçá-la todos os dias, senti-la perto de mim, assisti-la dormir como há meses fiz, os sonhos acontecendo nela, que dormia ao meu lado sem fazer ideia de que eu não pregaria os olhos. Quero-a assim de novo, e de novo, e de novo, e então para sempre, minha como eu sou dela.
Quão bobo é escrever tais palavras num antigo caderno usado, numa fria tarde de inverno, sozinha num quarto triste. Como eu queria passar os braços por aquela cintura e puxar para perto, tão perto quanto possível, a única pessoa que nunca me assustou! Quero tomá-la para mim e amá-la como ninguém além de mim faria; quero tanto que até tremo.
Não paro de pensar nela. Às vezes até sinto o cheiro nas cobertas – delírio, é claro.
Como é possível algo assim? De onde saiu todo este amor? Em que parte de mim isto estava? Eu vivia de odiar! Vivia de odiar a mim, ao mundo, a todos, a tudo. Agora vivo de amar a ela – somente ela!
Apenas ela me completa. Os dias que passamos juntas foram magníficos. Perto dela, não tenho medo da noite. Perto dela, perco as palavras por alegria, não por raiva. Perto dela, me sinto quase pura, virgem, não sei, como se somente com ela meus atos fossem de fato sinceros. E são. Apenas para ela, com ela, são.
Não é absurdo? Eu, amando assim!

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